A partir do ano letivo de 2025/2026, a Itália dará um passo histórico as escolas públicas e privadas serão convidadas a incluir em seus currículos a história da emigração italiana para países como Brasil, Argentina e Estados Unidos.
A decisão, publicada pelo Ministério da Educação e do Mérito em parceria com o Ministério dos Assuntos Exteriores, tem como foco fortalecer a identidade italiana e reconectar as novas gerações às trajetórias de milhões de famílias que cruzaram oceanos em busca de oportunidades.Embora não seja obrigatória, a proposta é fortemente recomendada a todas as instituições de ensino, que terão autonomia para adaptar os conteúdos de acordo com seus projetos pedagógicos.
Entre o fim do século XIX e a primeira metade do século XX, a Itália viveu um dos maiores fluxos emigratórios da história moderna.
Crises agrícolas, pobreza, instabilidade política e o desejo por um futuro melhor levaram milhões de italianos a deixarem suas aldeias rumo às Américas.
A proposta do governo italiano quer garantir que os estudantes entendam:
Além disso, a iniciativa reforça o uso de história oral, pesquisa em arquivos, visitas a museus da imigração e parcerias com instituições especializadas ampliando a aprendizagem para além da sala de aula.

O Brasil foi um dos principais destinos dos emigrantes italianos.
Entre 1870 e 1920, estima-se que mais de 1,5 milhão de italianos desembarcaram em terras brasileiras primeiro como mão de obra para as lavouras de café e, posteriormente, para trabalhar nas indústrias e no comércio das cidades em crescimento.

Hoje, o país abriga mais de 30 milhões de descendentes de italianos, sendo o maior contingente fora da Itália. A presença se concentra especialmente no Sul e Sudeste.
Nas cidades onde existe essa concentração de ítalos-descendentes, as tradições, festas, culinária, sotaque e costumes italianos permanecem vivos há mais de um século.
No início do século XX, Buenos Aires chegou a ser considerada a segunda maior cidade italiana do mundo, perdendo apenas para Roma.
A sociedade argentina atual é profundamente marcada pela cultura italiana da língua aos hábitos culinários, passando pela política e pela música.
Milhões de italianos chegaram pela Ilha de Ellis, em Nova York.
Criaram bairros icônicos como Little Italy, trabalharam nas ferrovias, fábricas e na construção civil, moldando o desenvolvimento urbano de cidades como:
O Ministério da Educação orienta que o tema seja trabalhado de forma interdisciplinar, unindo História, Geografia, Sociologia, Literatura e até Artes.
A proposta incentiva:
Museus como o Museo Nazionale dell’Emigrazione Italiana, o Museo Emigrazione Lucana, o Museu do Cognome e o La Nave della Sila serão referência para essas ações.
A inclusão da história da emigração nos currículos italianos é uma notícia que ecoa profundamente entre os milhões de ítalo-descendentes espalhados pelo mundo especialmente no Brasil.
Ela representa:
Fortalecimento do orgulho da dupla identidade.

É fundamental que os jovens na Itália saibam que existem milhões de ítalo-descendentes espalhados pelo mundo, que preservam tradições, valores, língua e cultura com o mesmo amor dos que vivem na terra natal.
Os italianos que emigraram ajudaram a construir sociedades inteiras no Brasil, na Argentina, nos EUA e em tantos outros países.
E seus descendentes nós continuamos a honrar essa história todos os dias.
Que a nova geração italiana compreenda, valorize e cultive a história da emigração.
Porque a Itália não é apenas um lugar no mapa.
É uma identidade compartilhada viva, forte e espalhada pelos quatro cantos do mundo.