Um assunto voltou a chamar a atenção dos ítalo-descendentes: a cidadania italiana para descendentes de trentinos. Em setembro, os conselheiros da Província de Trento, Walter Kaswalder e Michele Malfer, estiveram no Brasil para debater a possível revisão da lei que restringiu esse direito. O objetivo é reavaliar se os descendentes de trentinos que emigraram antes de 1920 poderiam voltar a ter acesso ao reconhecimento da cidadania italiana.
Muitos descendentes acabam desistindo do processo de cidadania ao descobrirem que seus antepassados eram trentinos, ou seja, nascidos em uma região que, no passado, pertencia ao Império Austro-Húngaro.
As regiões de Trento, Bolzano e Gorizia (atualmente a Província Autônoma de Trento) foram anexadas à Itália apenas após a Primeira Guerra Mundial, por meio do Tratado de Saint-Germain-en-Laye, assinado em 10 de setembro de 1919.
Esse contexto histórico gerou um cenário peculiar:
Em dezembro de 2000, o Parlamento Italiano aprovou a Lei nº 379, que reconhecia a cidadania italiana aos nascidos e residentes nos territórios do antigo Império Austro-Húngaro, estendendo o direito também a seus descendentes.
Contudo, esse reconhecimento tinha prazo limitado:
Desde então, descendentes de trentinos ficaram fora das vias administrativas regulares para o reconhecimento.
Apesar da restrição, existe a possibilidade de ações judiciais na Itália, baseadas em argumentos como:
Cada caso, no entanto, deve ser avaliado individualmente, com análise documental e jurídica especializada.
Nesse mês de setembro, durante as comemorações dos 150 anos da Imigração Italiana no Brasil, os conselheiros trentinos participaram de debates no país para discutir a reabertura do reconhecimento da cidadania.
A principal etapa ocorreu em Rio dos Cedros (SC), cidade com cerca de 11 mil habitantes e um dos mais importantes destinos da imigração trentina entre 1875 e 1876.
Walter Kaswalder e Michele Malfer, apresentaram propostas para pressionar o governo italiano a reconsiderar a concessão de cidadania aos descendentes de emigrantes da região.
O caso dos descendentes trentinos é um dos mais complexos dentro do reconhecimento da cidadania italiana. Ele mistura história, direito internacional e identidade cultural.
Na San Pietro, avaliamos cada situação com responsabilidade e atenção, estudando detalhadamente a árvore genealógica de cada família para compreender quem foi o antenato e quais são os direitos de cada ítalo-descendente.