O câncer de mama é uma das doenças mais estudadas e combatidas no mundo e quando o assunto é tratamento e taxa de cura, a Itália se destaca como referência mundial.
Mas o que faz o país alcançar índices tão altos de recuperação?
E como o sistema de saúde italiano garante acesso a cuidados de ponta, tanto para italianos quanto para estrangeiros?
Neste artigo, você vai entender por que a Itália é líder na cura do câncer de mama e como funciona o sistema público de saúde que sustenta esse modelo de excelência.
Durante um evento na Universidade Federico II, o Dr. Paolo Veronesi, diretor da Unidade de Cirurgia de Mama do Instituto Europeu de Oncologia, afirmou:
“A Itália é o país da Europa e talvez do mundo que melhor trata e cura o câncer de mama, graças ao nosso Sistema Sanitário Nacional e às Breast Units.”
Essas “Breast Units” são centros especializados no tratamento de tumores de mama, onde médicos de diversas áreas trabalham de forma integrada.
Segundo Veronesi, é essa abordagem multidisciplinar em que cirurgiões, oncologistas, radiologistas e psicólogos discutem cada caso juntos que garante os melhores resultados em termos de recuperação.
Hoje, cerca de 90% das pacientes italianas diagnosticadas com câncer de mama são curadas em até cinco anos, resultado que coloca o país entre os líderes mundiais no tratamento da doença.
O sucesso italiano está baseado em quatro pilares principais:
Criadas para oferecer tratamento integrado, às Breast Units concentram todos os serviços necessários de diagnóstico, cirurgia, radioterapia, oncologia e apoio psicológico em um só local.
Cada paciente é acompanhada por uma equipe de especialistas que define o melhor plano de tratamento, de forma personalizada e coordenada.
O avanço da tecnologia é um dos grandes aliados. O país investe em equipamentos de ponta, terapias biológicas e novas técnicas cirúrgicas, como a cirurgia oncoplástica, que preserva a aparência da mama, e o MarginProbe, que analisa margens cirúrgicas em tempo real.
Nos últimos 20 anos, as cirurgias se tornaram “mais conservadoras e respeitosas com a imagem feminina”, segundo Veronesi. Além disso, as radioterapias são mais curtas, concentradas e com menos efeitos colaterais.
A excelência italiana na oncologia também se deve à base sólida do Servizio Sanitario Nazionale (SSN), o sistema público de saúde da Itália, equivalente ao SUS no Brasil.
O SSN é um modelo de acesso universal, ou seja, qualquer cidadão italiano ou estrangeiro com residência legal tem direito a atendimento.
Segundo a revista científica The Lancet, a Itália está entre os 10 melhores sistemas de saúde do mundo, ocupando o 9º lugar no ranking de 2019.
Ela é obrigatória para quem vive legalmente no país e garante o atendimento médico em hospitais e clínicas públicas, além de permitir a compra de medicamentos com desconto nas farmácias. Garante o acesso ao SSN equivalente ao cartão do SUS no Brasil.
Com ela, é possível marcar consultas, realizar exames e ter acompanhamento médico gratuito ou com taxas reduzidas, conhecidas como ticket sanitário (calculadas de acordo com a renda familiar).
E os custos?
O sistema público não é totalmente gratuito, mas o custo é muito acessível.
Consultas com o médico de família são gratuitas, e exames ou especialistas podem ter uma taxa simbólica.
Famílias de baixa renda e casos específicos (como gravidez ou doenças graves) têm isenção total do ticket.
Estrangeiros também podem se tratar na Itália
Há duas formas principais de estrangeiros acessarem o tratamento na Itália:
Lei do esquecimento oncológico: um marco na dignidade das pacientes
Em 2023, a Itália aprovou a Lei do Esquecimento Oncológico, que protege pessoas curadas do câncer contra discriminação.
Com ela, quem superou a doença não precisa mais declarar seu histórico a bancos e seguradoras após um determinado período de cura, um avanço que garante mais igualdade e respeito aos sobreviventes.
Conclusão
A Itália é um exemplo global de como a integração entre ciência, empatia e políticas públicas pode salvar vidas.
Com um sistema de saúde sólido, profissionais altamente capacitados e uma abordagem humana, o país se consolidou como líder na cura e no cuidado do câncer de mama.
Mais do que números e tecnologia, o modelo italiano mostra que tratar o câncer de mama é também cuidar da mulher como um todo, física, emocional e socialmente.